segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

DAI A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR.

O pastor Silas Malafaia, da Associação Vitória em Cristo, ligada à Assembleia de Deus, foi conduzido coercitivamente durante a execução da Operação Timóteo, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (16), em 11 estados e no Distrito Federal. Durante a manhã de hoje os 300 policiais envolvidos estão cumprindo 29 conduções coercitivas, 4 mandados de prisão preventiva, 12 mandados de prisão temporária, sequestro de 3 imóveis e bloqueio judicial de valores depositados que podem alcançar R$ 70 milhões. A investigação apura um esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral (65% da chamada Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – CFEM – tem como destino os municípios). De acordo com a PF, o líder religioso é suspeito de integrar o esquema, ao apoiar a lavagem do dinheiro. Malafaia pode ter “emprestado” contas correntes de uma igreja sob sua influência para esconder a origem ilícita dos valores. As provas recolhidas pelas equipes policiais devem detalhar como funcionava um esquema em que um Diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral detentor de informações privilegiadas a respeito de dívidas de royalties oferecia os serviços de dois escritórios de advocacia e uma empresa de consultoria a municípios com créditos de CFEM junto a empresas de exploração mineral. O diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral, Marco Antonio Valadares Moreira, e a mulher dele foram presos pela PF. A Operação Timóteo começou ainda em 2015, quando a então Controladoria-Geral da União enviou à PF uma sindicância que apontava incompatibilidade na evolução patrimonial de um dos diretores do DNPM. Apenas esta autoridade pública pode ter recebido valores que ultrapassam os R$ 7 milhões.

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