quinta-feira, 26 de maio de 2016
DICAS DE CINEMA
O alemão Zev Guttman (Christopher Plummer) mora numa clínica particular para idosos nos Estados Unidos. Sua esposa morreu faz uma semana, mas o velhinho, já demonstrando falha de memória, não se lembra de nada. Mesmo assim, seu amigo, o também judeu Max Rosenbaum (Martin Landau), vai designar a ele uma missão secreta e muito, muito arriscada. Ambos tiveram a família exterminada no campo de concentração de Auschwitz e Max descobriu que o nazista responsável pela maior tragédia da vida deles mudou de nome. Antes ele era Otto Walisch, agora é Rudy Kurlander. O único sobrevivente capaz de reconhecer o carrasco, Zev terá de percorrer alguns estados até encontrar, entre quatro imigrantes, o “seu” Rudy e, sem piedade, matá-lo. Não há trégua para piscar no eletrizante roteiro do estreante Benjamin August, comandado com brilho e pulso firme pelo experiente diretor Atom Egoyan, egípcio radicado no Canadá. Expondo as feridas do Holocausto num thriller de tirar o fôlego, a trama também traz à tona um triste (porém verdadeiro) registro da velhice. A cereja do bolo, além das atuações de Plummer e de Landau e de coadjuvantes como Bruno Ganz, está no desfecho arrasador e surpreendente. Estreou em 12/5/2016.
O drama não é mais um filme sobre o escritor Truman Capote — e, sim, o nome do cachorro do personagem de Ricardo Darín. O astro argentino está afiadíssimo no papel de Julián, um ator com os dias contados por causa de um câncer terminal que abriu mão da quimioterapia. Nesse momento delicado, ele recebe, em Madri, a inesperada visita de Tomás (Javier Cámara), seu melhor amigo, que trocou a Espanha pelo Canadá. Em quatro dias, a dupla não fará nada de excepcional nem tampouco ficará rememorando o passado. Eis aí uma das qualidades do longa-metragem do catalão Cesc Gay, o mesmo de O que os Homens Falam: trocar os excessos lacrimosos pela simplicidade de ações cotidianas, como um almoço, uma bebedeira, uma ida ao teatro... O roteiro, assim como Tomás, mantém-se objetivo, levemente emotivo e jamais piegas. Estreou em 14/4/2016.
Os exageros e a estridência de Batman vs Superman deixaram uma perguntinha incômoda entre fãs de quadrinhos: muito barulho por nada? Sempre atenta aos deslizes da concorrência, a Marvel Studios usou uma estratégia diferente (e acertada) para marcar posição na onda dos blockbusters sobre conflitos entre super-heróis. Em Capitão América — Guerra Civil, a crise política no front de integrantes dos Vingadores, dividido entre os “times” do Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e do Capitão América (Chris Evans), é narrada sem climão sombrio nem abuso de efeitos especiais. Ufa! Já bem adaptados ao universo dos gibis, os diretores Anthony e Joe Russo (do eficiente Capitão América 2 — O Soldado Invernal) dosam com pique e fluência, e numa escala menos sufocante, toques de aventura de espionagem, thriller político, drama familiar e comédia juvenil. É difícil não abrir um sorriso, por exemplo, com o Homem-Aranha estabanado vivido pelo ótimo Tom Holland, ou perder o fôlego diante das transformações amalucadas do Homem-Formiga (Paul Rudd). Tal como no frustrante Vingadores — Era de Ultron, contudo, o excesso de conversa fiada (e haja discussão de relação...) emperra a primeira metade da trama, quando é aberto todo um debate sobre a possível interferência da ONU para controlar a atividade dos superpoderosos. O Homem de Ferro apoia a medida; já o Capitão América, não. Para a sorte do público, o disse me disse se resolve em cenas de ação inventivas que entusiasmam sem apelar para a grandiloquência. O “combo” de heróis, desta vez, deu liga. Estreou em 28/4/2016.
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